Temperamento e Comportamento do Fila Brasileiro

                        Transcrevo abaixo trechos do artigo: “Medo e Agressividade nos Cães” – “É mais fácil controlar os agressivos do que corrigir os medrosos”; de autoria do sr. Paulo Azevedo, inserido na página 132 e seguintes do Informativo n.º 132 da CBKC do presente mês e ano.

                        Os pesquisadores afirmam em inúmeros trabalhos: A genética representa apenas 20% do total do comportamento do cão; os 80% restantes são devidos aos HÁBITOS adquiridos, isto é, a adaptação como um todo do comportamento ao meio ambiente. Há uma adaptação gradual do Instinto, da Índole e do Temperamento ao Meio Ambiente entendido como tal o social, o médico e o stress psicológico no cão. As experiências boas ou hostis que aconteceram com o cão durante essa adaptação gradual ao longo de sua vida dão como resultado o bom ou mau comportamento.

                        A sobrevivência e disseminação dos canídeos resultou de três atributos fundamentais de que são dotados: inteligência, versatilidade e cooperação social. Por conseguinte, não podemos esquecer disto ao examinar o comportamento dos cães, pois foram herdados de seus ancestrais, fazendo-os capazes dessa adaptação gradual.

                        Para um comportamento canino equilibrado há necessidade de que o ambiente seja socialmente adequado ao cão. O animal deve ter sanidade física e mental, estar livre de stress e resistir às pressões psicológicas. Para um filhote adquirir um temperamento equilibrado é muito importante a ambientação, isto é, o aprender a ser cão (que se dá entre a terceira e a oitava semanas de vida) e a socialização (que acontece entre a oitava e a décima segunda semanas de vida). É a convivência com outros animais, com ruídos estranhos, com crianças, velhos, pessoas de cor, movimentos bruscos, aprender a sua posição na escala hierárquica social, criar hábitos de higiene e, por fim, o adestramento, que é a aprendizagem dos bons hábitos de respeito, relacionamento, conhecimento e amizade com os seres humanos, como dizem os ingleses, “ensinar a ser um CÃO CIDADÃO”..

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                        Em todos os mamíferos são instintos inatos: o sexo, a agressividade, a preservação e a competição. Portanto, a agressividade, segundo a Psicologia comparada, é tratada como um instinto, comum a todos os mamíferos. Por isso mesmo, Parmigianni definiu a agressividade como “um sublime mecanismo que regula a preservação das espécies” e ainda mais, encarada como um comportamento adequado no caso de um cão DEFENDER SEU DONO, e a PROPRIEDADE, CONTRA QUALQUER PERIGO, seja, LATINDO, ROSNANDO, MOSTRANDO OS DENTES, OU MESMO MORDENDO.

                        A agressividade é o sublime instinto inato de preservação das espécies.

                        A agressividade, um problema que as pessoas tanto temem, pode e deve ser controlada conforme as recomendações de Dodmann e moldadas através das provas internacionais de trabalho e obediência da FCI para todas as raças. Tratamos de casos normais quando este comportamento não é exacerbado.

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                        Agressividade excessiva, em geral, pode ser por ERROS DE MODELAGEM, vale dizer, FALTA DE CONHECIMENTOS DOS PROPRIETÁRIOS E/OU DISTORÇÕES DE ENSINAMENTO. Há, no entanto, casos patológicos………………………………………………………………….

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                        O Medo

                        Pelo que tenho entendido não é, propriamente, um instinto, é uma resposta ao instinto de preservação. Eu penso que, em se tratando de uma resposta, depende fundamentalmente da maior ou menor intensidade de como o instinto de preservação se manifesta em cada indivíduo, e esta sensibilidade é que é de substrato biogênico, considerado por alguns especialistas de baixa hereditariedade.

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.                       A Dra. Ignez Ferreira assim se expressa: “É muito importante uma amnanese bastante cuidadosa. Há grande dificuldade de TESTES DE PROGÊNIE QUE DEVEM SER MUITO BEM, ANALISADOS. Como a herdabilidade é baixa e existe uma grande interferência do meio ambiente, A SELEÇÃO BASEADA SOMENTE NA ANÁLISE DO FENÓTIPO INDUZ AO ERRO”.

.                       Sem testes específicos de progênie, não podemos afirmar que uma característica de baixa herdabilidade é genética ou não”.

                        DEEPAK CHOPRA, um indiano…………………………………………………

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                        “É mais fácil controlar os cães agressivos do que educar os cães medrosos”.

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                        Pensamento do autor

                        Estudar e aprender sempre revela um sentimento de auto-satisfação ao ser humano. Porém, escrever e ensinar revela despreendimento, humildade, vontade de se perpetuar pelo valor dos conhecimentos transmitidos. Ao comparar com meus primeiros estudos sobre comportamento, constato o quanto evolui e o quanto ainda NADA SEI. Tenho fé em Deus que, por sua magnanimidade, ainda poderei aprender com muitos cinófilos e ensinar a muitos outros.

                        Paulo Azevedo é árbitro all-rounder da CBKC/FCI

                        Comentários deste signatário

                        1) Coaduno principalmente com a idéia cerne do artigo, qual seja, a de que o cão agressivo é mais fácil de controlar do que educar os cães medrosos.

                        2) Vejam que são inúmeros os cientistas genéticos ou comportamentalistas caninos que afirmam que a maior parte do temperamento/comportamento do cão é a parte adquirida pela vivência e convivência e não a parte herdada geneticamente de seus ancestrais.

                        3) Para a Raça Fila Brasileiro esse artigo e as conclusões são idênticas às conclusões deste signatário. Sempre tenho afirmado que a característica principal é o temperamento/comportamento, acima em valor de todas as demais, pois, a função de Guarda da Raça é por demais importante para ser relegada a segundo plano em um programa de criação competente e lógico. Uma orelha mais alta, ou mais baixa, não irá impedir o bom FB de efetuar a sua FUNÇÃO primitiva (e que é a que irá lhe perpetuar a existência), qual seja, a de ‘GUARDIÃO’. Guardar, proteger, cuidar, tomar conta, manter o território inviolável de presença estranha, ou de presença ou proximidade de pessoa, ou animal, ou objeto que possa significar risco ou perigo.

                        4) O artigo de autoria do Sr. Paulo Azevedo, assim como todo o Informativo está à disposição dos associados da SPFB, para compulsá-lo. O artigo todo é bem extenso e é escrito em quatro páginas inteiras.

                        5) Vejam que, inclusive, nos artigos de nosso (da SPFB) Regulamento de Exposições, no nosso Regulamento de Ranking, sempre, sempre mesmo, procuramos valorizar o item: Comportamento/Temperamento. Esse deve ser o principal objetivo dos criadores de Fila Brasileiro da SPFB e de todos os que de alguma forma contribuem no aprimoramento e seleção da Raça Fila Brasileiro.

                        6) Façam a seguinte comparação e indagação: O que seria melhor (ou menos ruim) para nós (e, consequentemente para a nossa família): Um FB que tivesse uma excelente qualidade Fenotípica e fosse medroso (consequentemente fosse considerado/qualificado de qualidade Insuficiente no quesito Temperamento/Comportamento); ou então – Um Fila Brasileiro de péssima qualidade fenotípica e fosse altamente agressivo com estranhos invasores do território, altamente defensivo com relação à nossa pessoa e altamente amigo e submisso com todas as pessoas da casa. Eu se tivesse de optar, logicamente, optaria pelo FB que tivesse o Comportamento/Temperamento Excelente e que fosse péssimo Fenotipicamente, do que ao contrário. Lógico que nós (sócios da SPFB) não temos de enfrentar esse impasse de termos de escolher entre os dois Filas Brasileiros supra descritos, porém temos de fazer essa indagação hipotética, para podermos chegar a uma definição dos rumos que devemos (e deveremos) adotar para a criação da Raça Fila Brasileiro. 

                        “Não fique só, fique sócio da SPFB”.

                        “Quantos mais formos, mais seremos ouvidos”.

                        “A Amarela, a PRETA, a Marrom, a Vermelha, a Tigrada/Rajada são cores oficiais abrigadas pelo Padrão Racial OFICIAL da Raça FB”.

                        “Quem quiser cor, que cultive rosas”. Autoria do sr. PSC.

                        “ Montar no Tigre é fácil, o difícil é desmontar”. Provérbio Chinês.

                        “Continuo SENTADO aguardando prova REAL da não existência ou Não OFICIALIDADE das cores PRETA E Rajada/Tigrada na Raça FB”.

                        ‘A OFICIALIDADE se traduz inclusive com o reconhecimento oficial de outros Países, inclusive através do Reconhecimento da FCI. A clandestinidade é um passo rumo à ilegalidade”.

                        “Teste de Progênie. Não deixe de apoiar essa idéia. Esse é o ovo do Colombo”.

                        “Brasileiro que cria Fila Brasileiro é duplamente Brasileiro”. 

                        “Criador ou Proprietário de FB Não deixe de participar das Exposições da SPFB, pois elas são julgadas por Juízes integrantes do Quadro de Árbitros da CBKC/FCI, pessoas altamente conhecedoras dos Padrões Raciais, das técnicas e normas de julgamento, bem como são pessoas totalmente isentas de amizade ou inimizade, calcando as suas escolhas puramente em critérios cinotécnicos. Em todas as nossas Expo os Juízes são obrigados a preencher súmula escrita, detalhando as características do exemplar e dando ao final a qualificação. Em todas as nossas Expo são realizados Testes de Temperamento (Vara, ou Chicote, ou outra ameaça e tiros, ou outros ruídos súbitos) que são de participação voluntária, ou seja, se você não quiser, seu cão não será submetido ao Teste. A divulgação do resultado do teste será feita somente dos cães aprovados”.  

                        Visite o nosso site: http://www.spfilabrasileiro.com.br  e veja vários artigos interessantes, bem como, assista a um vídeo de Teste de Temperamento/Comportamento realizado em fins do ano de 2008 em Biritiba Mirim/SP. Visite também o site: http://www.canildosertao.com e leia outros artigos e também o primeiro Padrão Racial do FB de autoria do sr. PSC e outros autores e constatem a oficialidade e existência das cores PRETA E TIGRADA/RAJADA escura desde então, ou seja, desde o período antecessor ao estabelecimento do Primeiro Padrão Racial OFICIAL.  
     

                                                    São Paulo, 22 de Novembro de 2009.

                                                           Virgílio De Martella Orsi

                                                    Canil Vale do Aricanduva/ São Paulo

Juiz de FB e grupos I, II, IV, V, VIII e X da CBKC/FCI.   

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