Pureza Racial Animal

Parte II

Por Virgílio Orsi

                       Transcrevo abaixo, parte de artigo técnico elaborado por Ângelo de Menezes, “http://www.girolando.com.br/site/noticia.php?id=154”. 

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              Premissas Importantes.

.           Raça: do latim: “radix”, do árabe: “ra’s”, do germânico: “reiza”, ou do itálico: “razza”.

“Qualquer que seja a definição que se possa dar ao conceito Raça – deve-se considerar excluída a existência de animais de raça pura, no sentido estritamente genético. Isso porque, para a genética, o animal puro é o homozigoto e os criadores estão fartos de saber que um casal de animais “puros”, registados no Livro Genealógico da Raça, não gera prole homogênea”.

“Subespécie animal resultante de cruzamento de indivíduos selecionados pelo homem para manutenção ou aprimoramento de determinados caracteres. (aplica-se especialmente aos animais domésticos)”. Novo Dicionário Aurélio.

“Pureza Racial em Zootecnia: Pureza convencional que decorre, entre outras circunstâncias, de um convênio entre criadores, que se comprometeram a admitir e aceitar como puro todo animal com o fenótipo da raça (do Padrão), que esteja regularmente inscrito no respectivo Livro Genealógico”. Domingues in “A Raça, seu genótipo e fenótipo”.

“Nenhum animal que produz muito, ou melhor, que tem taxas altas de eficiência reprodutiva e produtividade, nasceu feito. Foram necessários dezenas de anos de trabalho metódico, progressivo e contínuo, de melhoramento genético e do meio em que o mesmo vive, para se obter o protótipo, como hoje ele é visto”.

Otávio Domingues.

Observações deste autor e signatário.

“Raça animal pura: é o conjunto de animais (“in casu”, cães) da mesma espécie (“in casu”, canina), semelhantes entre si, que, mediante reprodução sexual, geram produtos (filhotes) semelhantes aos reprodutores que estão regularmente inscritos no Livro de Registros Genealógico do Sistema Cinófilo Oficial, devidamente reconhecido pelos demais Sistemas Cinófilos dos outros Países. Devendo ainda esses reprodutores e seus produtos possuir o fenótipo descrito pelo Padrão Racial e, principalmente, possuir as medidas e proporções importantes e não apresentar características elencadas como faltas desqualificantes pelo referido documento (Padrão) e {“in casu”, cães} também pelo Manual de Estrutura e Dinâmica (MED)  da CBKC/FCI/MAPA”.

Convencional = Ato ou resultado de um acordo, ou de uma decisão explícita ou implícita de um grupamento de pessoas.

Criadores = Pessoas oficial e regularmente dedicadas à criação de algo, “in casu” de animais da espécie canina.

Eu já disse várias vezes que não há Raça de cão que seja pura, no sentido exato do vocábulo, ou seja, não há uma ÚNICA raça canina em que não houve o cruzamento com cão de outra raça ou com cão de raça indefinida (SRD). Isso é facilmente constatável pelo seguinte: Se houvesse Raça pura geneticamente falando, seria somente de uma forma. Num instante, no mundo real não existiria a Raça XYZ, no instante seguinte, a Raça XYZ apareceria como resultado de um milagre ou de uma mágica, já pronta, feita e acabada. Vejam que o próprio “espírito” da Natureza renega esse conceito de raça pura, pois, está comprovado cientificamente que a Natureza “injeta” continuamente em todo grupamento de seres vivos, um ou outro “gen”, alterando essa ou aquela característica, buscando sempre a diversidade genética, para, justamente buscar se afirmar, poder se adaptar, se perpetuar (preservação e procriação) e manter-se existindo como dizem os postulados das leis genéticas e naturais formuladas por Mendel, Darwin e outros cientistas, que diziam que: dentre animais de uma determinada espécie, somente os mais aptos sobreviveriam; os ambientes naturais se modificariam diversa, constante e periodicamente; e que as espécies que não se adaptassem às condições naturais se extinguiriam. O que há, e pode haver, é uma Raça de cão muito aprimorada, muito selecionada, muito aperfeiçoada, porém, isso é feito, e deve ser feito, ao longo de toda a existência dessa Raça no sentido da FUNCIONALIDADE e da TIPICIDADE. Sendo que no caso de Raça canina, o aperfeiçoamento, o aprimoramento, deve ser realizado por um conjunto de criadores, de juízes e do próprio mercado consumidor, constante e permanentemente.

Para nós, criadores de Fila Brasileiro, o mais difícil é conseguir satisfazer o mercado consumidor, visando mantê-lo sempre interessado na aquisição do nosso produto. Para tanto, devemos perseguir melhoria da qualidade, de produtividade, e de competitividade (leal e não predatória), etc..

Outro obstáculo para nós, criadores, é acabarmos com essas “guerrinhas”, essas acusações infundadas, essas propagandas enganosas, essas separações em grupelhos X, Y e Z, cada qual fazendo propaganda negativa contra os concorrentes e, indiretamente “difamando a própria Raça em si”, fato esse que se volta contra todos, inclusive contra o próprio propagandista. Uma dessas propagandas completamente equivocadas é acusar-se os cães de adeptos de outro grupo ou facção de ”MESTIÇOS”, intitulando os do próprio grupo ao qual se pertence de “PUROS”. Não existe o Cão “puro” no sentido que se empresta à essa palavra, e sim existe o cão TÍPICO, ou seja, aquele que se encaixa corretamente no que pede o Padrão Racial daquela Raça e também existe o Cão atípico, ou não típico, que é aquele cão que não se encaixa corretamente no que pede o Padrão Racial. Diga-se de passagem que o Padrão Racial a que nos referimos é o Padrão Oficial do sistema cinófilo que é reconhecido pelos demais Países e até recentemente pelo Governo Federal/MAPA. Ressalte-se, outrossim, que até o ano de 1978 TODOS os criadores de Fila Brasileiro que registavam seus cães, sem excepção, criavam pelo sistema legal oficial, qual seja, o sistema CBKC, na época designado como BKC, e, a partir daí é que houve a separação, sendo que todos os cães, com registro do plantel até então existente, foram seccionados, indo uma parte menor para os dissidentes e a parte maior permanecendo no sistema CBKC/FCI, sendo que daí começaram essas hostilidades disfarçadas e um grupo de criadores passou a assacar contra o outro. Ressalte-se a constatação real da mesma origem (única) dos Plantéis de cães Fila Brasileiro. Sendo que no decorrer desse tempo até os dias actuais, alguns criadores permutaram de grupos, note-se, entretanto, que a grande maioria, quase a totalidade, dos criadores que são adeptos do grupo dissidente também registam actualmente no Sistema CBKC/FCI. 

Se (e vejam que estou falando se, hipoteticamente) conseguíssemos a união entre os criadores da Raça das diversas facções (grupos) e todos, ou pelo menos a maioria (em torno de 90%) dos criadores, nos agrupássemos em torno de ideais, como por exemplo: estabelecer metas, impor regulamentos sérios com normas rígidas de criação, selecção e aprimoramento, principalmente com objetivos de funcionalidade para o serviço de Guarda, com objetivos de unificar os tipos morfológicos, com objectivos de melhorarmos as condições de saúde e de temperamento, implantando provas objectivas e técnicas para selecção dos Padreadores machos, no início e, depois impondo restrições mais rígidas para os acasalamentos, com provas obrigatórias de Resistência à marcha, Controle de DCF, controle de Displasia do Cotovelo, necessidade de APR para acasalar e registar a cria com CRO, necessidade de exame e aprovação de uma junta de três juízes (no mínimo) Especializados/Criadores para homologar: o APR, o título de Campeão, necessidade de aprovação de no mínimo três Testes de Temperamento com juízes Especializados/Criadores diferentes para ser qualificado como Selecionado, etc. e etc. Se conseguíssemos fundar Clubes Especializados nas regiões Sul e Norte/Nordeste do Brasil, poderíamos tentar fundar um Clube a nível nacional e tentar, em sequência, conseguir a nomeação do Conselho Nacional da Raça. Poderíamos implantar uma divulgação maior das características positivas da Raça, principalmente as funcionais como Guarda e Defesa, tanto a nível nacional, como internacional. Poderíamos tentar fundar uma cooperativa para aquisição de Ração e demais equipamentos e materiais usados na criação, procriação, etc..

Perguntas Importantes recomendadas para os compradores de filhotes: 

1 – O filhote de cão a ser adquirido possui Certificado de Registro de Origem do Sistema CBKC/FCI? O filhote possui idade superior a 45 (quarenta e cinco) dias? O filhote já come (se alimenta) ração industrializada?

– Qual a característica principal que desejo e que seja inerente à Raça do filhote a ser adquirido?

3 – Entre os vários canis visitados, esse foi o que me ofereceu melhores garantias (contrato de compra e venda, comprovante de registro do filhote, Laudo de Controle de DCF dos pais, Certificado de Aprovação para a Reprodução, Certificado de Apto na Prova de Temperamento) e apresentou  melhor impressão de seriedade (não criticou os outros criadores, nem colocou elogios exorbitantes nos seus próprios cães, procurou me informar sobre a raça e sobre os cães, mostrando, principalmente, a mãe do filhote e, se possível, o pai)?

4 – Qual o Padrão Racial?

5 – Quais características são essenciais para a Raça, de acordo com o Padrão?

– Estou acompanhado, ou assessorado, por uma pessoa que entende de cães ou dessa Raça especificamente? Esse é o Canil que o Kennel Clube ou a Sociedade Paulista do Fila Brasileiro (SPFB) me indicou?

7 – O preço pedido está muito mais alto ou muito mais baixo do que o dos demais criadores?   

.                                  São Paulo, 24 de Agosto de 2009.

                                               Virgílio De Martella Orsi.
                        Juiz de FB e dos grupos I, II, IV, V, VIII, e X da CBKC/FCI.
                                   Canil Vale do Aricanduva – São Paulo    

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