Exame de Pureza Racial

Por Virgílio De Martella Orsi

Transcrevo abaixo, o artigo inserido na Revista Cães e Cia de n° 360, “in fine” da página 53, do mês de Maio de 2009.

“Existe algum teste genético que ateste a pureza racial de um cão? Por exemplo – Que permita saber se é realmente um Rottweiler o cão que parece Rottweiler, se comporta como Rottweiler e tem ascendência desconhecida?”

Ricardo Ventura, Brasília.

Ricardo, nos Estados Unidos há laboratórios que realizam esse teste via correio, mas não atendem clientes brasileiros. É o caso do Mars Veterinary, que avalia 157 raças (www.wisdompanel.com ) e do Bio Pet Vet Lab, 63 raças (www.biopetvetlab/dnahome.htm ). Se o cão não for de raça pura, o teste informará quais raças participaram predominantemente da formação genética dele. Por isso numa ninhada de mestiços, irmãos podem apresentar resultados diferentes, de acordo com os genes mais herdados por cada um. Outra consideração: pode não ser mestiço um cão com presença de DNA de outra raça participante da formação da raça dele. Por exemplo, pode aparecer uma seqüência de Mastim do Tibete no Mastiff, já que ele, “como quase todos os molossos, foi originado do Mastim do Tibete”. Mais uma possibilidade: os marcadores moleculares serem insuficientes para distinguir a qual raça o cão pertence. Isso acontece quando duas raças têm praticamente a mesma sequência de genes, como ocorre com o Collie e o Pastor de Shetland. Nesse caso, para se chegar a uma conclusão, é preciso ver também as características físicas (fenótipo) do animal. No Brasil, o exame de pureza racial ainda não está disponível. Silvia Crusco, Doutora em reprodução de pequenos animais. www.silviacrusco.com ”.

Obs deste autor infra identificado:

1) Vejam que a raça Mastiff Inglês, que é uma Raça das mais antigas na cinofilia, que é também uma das raças tidas por muitos como sendo uma das formadoras da Raça Fila Brasileiro, é explicitamente citada no artigo supra, dizendo-se que PODERÁ aparecer sequência de DNA do Mastim do Tibete em caso de Exame laboratorial específico para identificar-se a “pureza racial” através do DNA em cães “puros” da raça Mastiff Inglês.

2) Vejam também que, “en passant”, se fala que nos exames laboratoriais para se estabelecer a seqüência do DNA para fins de comprovação da “pureza racial”, irmãos de ninhada, tendo o mesmo pai e a mesma mãe logicamente, também podem apresentar resultados diferentes uns dos outros.

3) Vejam também que a autora do artigo, além de ser Veterinária, é doutora em reprodução animal.

4) Vejam também que há várias teorias {todas baseadas em hipóteses, com excepção da teoria do Dr. Procópio do Valle (já falecido) que cita textualmente prova documental sobre quais raças teriam hipoteticamente servido para se formar a Raça Fila Brasileiro até a sua oficialização como Raça, com o advento do início do serviço cartorário de Registro de cães Fila Brasileiro, em 1946, feito pelo então KCP (Kennel Clube Paulista), hoje inactivo. Sendo que entre essas várias teorias, a mais aceite é a de que a Raça FB teria sido formada por cães PRINCIPALMENTE das raças Mastiff Inglês, Dogue do Forte Race (antigo Buldogue) e Bloodhound.

5) Vejam que a ilustre autora aventa a hipótese de não ser considerado mestiço um cão que apresente no resultado do exame de sequência de DNA, o (s) gen (es) de outra raça participante  da formação da raça dele.

6) Vejam que a Raça Mastiff Inglês, citada textualmente no artigo da Dra. Sílvia, é muito mais antiga nos registoos oficiais do que a Raça Fila Brasileiro.

7) Vejam que a tecnologia de utilização dos marcadores moleculares é a tecnologia de ponta mais actualizada e é muito empregada em outros animais de maior valor económico, como por exemplo no gado leiteiro, onde, na Holanda por exemplo, eles controlam características importantíssimas (produção de leite, precocidade da novilha em entrar no cio, longevidade, habilidade materna, etc.) do gado holandês no mundo todo, inclusive do gado holandês aqui do Brasil.

8) Vejam que nos Países em que a cinofilia é controlada pela FCI, igual ao Brasil (CBKC), existe o exame de uma junta de juízes com muita experiência para que se comprove, através do CPR (Certificado de Pureza Racial), feito através da análise das características fenotípicas para se “iniciar” o controle através de Certificado de Registro Inicial.

9) À vista dessa série de observações supra, fica mais uma vez comprovada a leviandade de certos tipos de acusações que ocorrem na nossa Raça Fila Brasileiro, acusações essas de autoria de pessoas desinformadas e que somente visam conseguir benefícios mercantis, ou visem as “luzes da Ribalta”.

Sugiro que cada um tire as suas próprias conclusões.

Virgílio De Martella Orsi
Canil Vale do Aricanduva – São Paulo
Juíz dos grupos I, II, IV, V, VIII e X e de FB da CBKC/FCI

Voltar a artigos Fila Brasileiro