Origem da Raça – Prof Procópio do Valle

Várias teorias tentam explicar a presença do cão de Fila no Brasil. Não tem, porém, base zootécnica devidamente documentada. Baseado nas pesquisas feitas nas excelentes bibliotecas históricas existentes no Nordeste e no Sudeste do Brasil, podemos afirmar que o actual cão de Fila Brasileiro tem o seu começo em nosso país entrando pelo estado de Pernambuco, trazido pelos flamengos (holandeses) da Companhia das Índias Ocidentais e apanhadores na Inglaterra. Eles dominaram o nordeste brasileiro durante os anos de 1630 a 1654, quando foram expulsos pelos naturais do país.

Cão de fila é definido no português antigo como um cão grande, bravo, de espécie vulgar. Característica, aliás, dos cães Molossos. Cão de fila, de filar, ou “filhar”, significa um cão que agarra a presa e não larga. É, assim, um cão de guarda e um cão mestiço. Em inglês a palavra “mastiff”, em francês “mastin” significa mestiço.

Por mais que procurássemos, não encontrámos provas e documentação convincentes que mostrassem que os cães de Fila tivessem sido trazidos pelos portugueses, ingleses, franceses, ou pelos africanos, povos que mais de perto participaram da colonização do Brasil. Não encontrámos menção à existência de cães de Fila por volta do século XVII, na área central do Brasil.
Dois registros importantes foram então localizados por nós:

1) Viagem do naturalista e poliglota inglês capitão Richard F. Barton. Por exemplo – no rio Sabará a Santa Luzia ( Minas Gerais ), no Vale do Rio São Francisco: “NEGA”, o Mastiff, parecia uma onça, tornando-se muito brava quando presa e latia como se estivesse enjaulada, a Nega era o terror para aqueles que a viam à primeira vez e provava ser útil e, nessas partes, todos os homens viajavam com cães ferozes.

 2) Maximiliam, Príncipe Wied – Neuwied, um dos mais famosos naturalistas que viajaram pelo Brasil no início do século XIX, logo após o nosso rei português D. João VI ter aberto os portos do país, permitindo a entrada livre dos estrangeiros, relata e mostra duas gravuras:

A primeira representa cães de Fila, chamados cabeçudos onceiros ou boiadeiros, cercando um boi e, em sua volta, a cavalo, vaqueiros vestidos com roupas de couro, como no Nordeste.

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Na segunda, uma onça sobre uma árvore, “tocaiada” pelos cães de Fila. Todos os cães têm as orelhas cortadas. Maximiliam registava o facto no sul da Bahia, fronteira com Minas Gerais.

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Vamos tentar resumir nossas pesquisas, localizando por vários achados, que o cão de Fila penetrou no Brasil pelo Nordeste (Pernambuco) seguindo pelo rio 5. Francisco e chegando ao estado de Minas Gerais. Graças à presença de colonizadores, descendentes de europeus que amaram o Fila, viram sua utilidade, e à pecuária leiteira aí existente, permitindo a alimentação do cão. Em verdade formou-se o CICLO seguinte:

1) a floresta;
2) as onças;
3) o homem;
4) o gado;
5) o cão de Fila.

Veja, a seguir, os quadros 1 e 2:

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