Poema do Fila Brasileiro

 

Por João Batista Gomes

 
O Fila não fala
O Senhor achou que isso não lhe era necessário e sim perfeitamento dispensável…
Se o Fila falar pudesse, sem dúvida ele diria coisas mais ou menos assim:

Eu sou o Fila Brasileiro.
Sou fúria, fúria e beleza.
Eu mostro a minha grandeza
no zelo e na valentia.
Sou gemido de porteira
da fazenda, terra brava.
Sou orgulho em qualquer pista,
sou raçudo e sou inteiro
e mostro no meu braço
que sou FILA BRASILEIRO !

Eu sou da terra do samba,
da cachaça e futebol;
minha ginga – meu balanço –
capoeira – arrebol…
Tenho candomblé no sangue,
macumba no coração !
Sou todo Fidelidade,
sou chamado Furacão !
No meu gingado brejeiro
causo dor de cotovelo
e mostro com muito zelo
que sou FILA BRASILEIRO !

Vim dos confins das fazendas,
caminhei nos canaviais,
acompanhei meu fazendeiro
pelos grandes cafezais,
andei o Brasil inteiro,
até o mundo eu virei !
Fui imponente lá fora,
na Europa, na Exposição !
Ouvi sinfonia de samba
Ganhei classificação !

Ganhei medalhas de ouro,
dei cartaz ao meu patrão.
Ergui meu Brasil bem alto
no grito de valentão !
Venci muitos campeonatos,
ouvi tantos desacatos
quando me tornei Campeão !
Sou fila – orgulho da raça,
raça pura, tradição !
Lambi a mão da Mãe Preta
Sem racismo e humilhação !

Na defesa, dou trombada !
Meu grito é grito de guerra !
Sou Ubirajara selvagem,
Rei da América do Sul !
Raça pura e sangue puro,
no Brasil sou Sangue Azul ! 

Se meu dono ergue o braço
pra me dar educação,
aceito e até respeito:
eu sou todo devoção !
Mas… NÃO MEXAM EM MINHA RAÇA,
NÃO ME CRIEM CONFUSÃO,
NÃO TOQUEM EM MEU PASSADO,
ME RESPEITEM A TRADIÇÃO…!

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