Diferenças Esperadas na Progênie – Fila Brasileiro

                        Amigos, como continuam as mesmas acusações totalmente infundadas e absolutamente irresponsáveis, continuaremos com os artigos contradizendo essas “teorias mórbidas do desentendimento”.

                        Acessando o site: “http//www.canilcomary.com.br/genética.html”, vemos, entre outras coisas, o seguinte:
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                        Genética em Cães de Trabalho

                        Há muitos anos que os cães são parceiros dos homens em diversas FUNÇÕES, e de acordo com a necessidade, intencionalmente ou ao acaso, surgiram raças com aptidões físicas e mentais específicas para cada trabalho.

                        Atualmente, a progressiva diminuição do contato que os criadores têm com o TRABALHO ORIGINAL das raças dificulta o estabelecimento de critérios objetivos, favorecendo o surgimento de polêmicas repletas de subjetividades, totalmente NOCIVAS ao MELHORAMENTO GENÉTICO de uma Raça de trabalho. Uma raça de trabalho deve ter sua criação pautada em critérios objetivos, para que não perca o seu propósito inicial {função primitiva quando da origem da Raça – OAS (Observação de Autoria deste Signatário)}.

                        O que realmente é importante em um cão de trabalho, a estrutura física ou o temperamento? Estas características são genéticas ou ambientais? Como conduzir a criação de uma Raça de trabalho? Estas questões são cada vez mais presentes, e é cada vez maior o número de opiniões e posturas sem fundamento.

                        Estrutura X Temperamento

                        Quando se trata de uma raça para o Trabalho, o que interessa na verdade é o DESEMPENHO FUNCIONAL. Um animal com faltas anatômicas, pouca musculatura, angulações inadequadas, ossatura frágil e outros problemas, terá sem dúvida nenhuma sua capacidade de trabalho limitada.

                        De outro lado, um animal “fraco de nervos”, com baixos impulsos, e pouca dureza, mesmo possuindo uma estrutura atlética, nunca terá desempenho. Portanto os dois são importantes, um é suporte para o outro.

                        A SELEÇÃO DE UMA RAÇA DE TRABALHO NÃO PODE SER FEITA ESTRITAMENTE COM BASE NO TEMPERAMENTO, muito menos pela ESTRUTURA OU ESTÉTICA, deve sim ser fundamentada no DESEMPENHO DOS INDIVÍDUOS EM TRABALHO.

                        Genética X ambiente

                        Para nortear nosso raciocínio, é útil conhecermos o significado do termo HERDABILIDADE em genética e melhoramento animal, herdabilidade é o nome que se dá a fração de uma característica que é herdada, o quanto é realmente genético. A herdabilidade pode variar de 0 a 1, e quanto mais próxima de 1, mais herdável é esta característica, ou seja, mais importante é o fator genético para sua manifestação.

                        É fácil de se perceber que características estéticas ou visuais, de uma forma geral, possuem uma alta herdabilidade, como por exemplo a cor “Black and Tan” {Preto e Castanho – OAS – (Observação de Autoria deste Signatário)} do Rottweiler, que é muito pouco influenciada por aspectos ambientais.

                        Em contrapartida, problemas como a Displasia Coxo Femoral (DCF), que possuem origem comprovadamente genética, se desenvolvem em associação a fatores ambientais relevantes como nutrição e manejo.

                        A grande questão é o temperamento. Algumas correntes da psicologia defendem o ambiente como fator principal de construção do comportamento, praticamente desprezando aspectos genéticos. Nossa experiência prática aliada às opiniões de treinadores de ponta no Mundo e importantes centros de criação de cães de serviço não nos deixa concordar muito com isto. A genética exerce um papel importantíssimo na manifestação comportamental.

                        Acreditamos que genética e ambiente se interagem constantemente na formação do indivíduo. Sem boa genética não há alto desempenho, por melhor que seja o ambiente e a técnica de treinamento.

                        Seleção e Criação

                        A criação talvez seja a tarefa mais complicada do universo do cão de trabalho. É muito difícil de se avaliar o temperamento, como já vimos, trata-se de uma herança com inumeráveis genes e combinações, e, fortemente influenciada pelo ambiente  {Manejo – OAS – (Observação de Autoria deste Signatário). Não há a possibilidade de se “ver” o temperamento de um cão em uma exposição de estrutura e beleza (salvo, por exemplo, superficialmente na própria raça FB, quando o Juiz poderá, em querendo, realizar pequenos testes, tais como o bater da prancheta, ou o “olho no olho”, ou o ameaçar de avançar contra o cão – OAS – Observação de Autoria deste Signatário). A forma mais prática e mais aconselhável de se selecionar cães de trabalho é a avaliação de seu desempenho final em trabalho (Com certeza, inclusive na Raça FB, apesar das provas de TT- Teste de Temperamento, o ideal seria fazermos provas práticas de “guarda” territorial e/ou de boiadeiro – acompanhante, e/ou provas de resistência à marcha – OAS – Observações de Autoria deste signatário).

                        Hoje, por circunstâncias de época, em muitos casos, talvez estejamos distantes das funções originais dos cães, e as competições esportivas são grandes aliadas da criação; podemos utilizar provas como o VPG (Schutzhund), Ringsport, pastoreio, caça, detecção (Olfatação – OAS – Observação de Autoria deste Signatário), etc., de acordo com a finalidade da raça.

                        Temos subsídios lógicos para afirmar que um bom reprodutor de trabalho deverá possuir filhos com alto desempenho em trabalho, e, se uma raça de trabalho estiver com a sua criação sendo corretamente conduzida, cão desta raça inevitavelmente terá bons resultados em serviços de competições afins. Devemos usar as provas de trabalho específicas a cada função como um aferidor de como está sendo conduzida a criação de determinada Raça.

                        Segue-se um gráfico demonstrativo de desempenho.

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                        Para que haja seleção e melhoramento genético da criação é necessário observarmos outro conceito técnico, o da “pressão seletiva”. Para melhor entendermos, podemos usar uma ferramenta chamada “curva de distribuição normal de uma população” ou “curva de Gauss” (Esse método é muito usado na bovinocultura – OAS – Observação de Autoria deste Signatário):

                        Este é um clássico gráfico de estatística de populações. Na reta “x” utilizamos uma variável hipotética: o desempenho dos indivíduos (o desempenho maior do gráfico das Coordenadas Cartesianas está situado no ponto superior intermediário das linhas “X” e “Y” que são as coordenadas – OAS – Observação de Autoria deste Signatário).

                        Neste gráfico podemos notar que o maior número de indivíduos se situa na média de desempenho ou em torno dela (“M”). Observamos também que o número de indivíduos com maior desempenho é reduzido (área hachurada da direita), assim como o número de indivíduos de baixo desempenho (área hachurada da esquerda).

                        A “pressão seletiva” consiste em se estabelecer um padrão mínimo (neste caso um desempenho mínimo aceitável), excluir os indivíduos com desempenho abaixo deste padrão (a esquerda do ponto de corte estabelecido), e utilizar na reprodução os indivíduos situados à direita do padrão mínimo estabelecido. Exercemos desta forma uma “pressão” para que esta curva se desloque para a direita, conseguindo desta forma um melhoramento genético da população.

                        Segue-se outro gráfico com duplicidade de linhas curvas nas coordenadas “X” e “Y”.

                        No primeiro instante teremos uma redução drástica de indivíduos da população, mas quando o número de indivíduos for restabelecido, possuiremos uma mesma população em número, porém com maior média de desempenho.

                        Toda população que acasala aleatoriamente entre si, ou seja, indivíduos situados em qualquer posição na curva reproduzindo-se indiscriminadamente, tende a tornar sua curva de freqüência gênica estável, sem se deslocar. Portanto, sem pressão seletiva não há melhoramento genético (Felizmente, na nossa Raça FB, houve o retorno do TT, bem como, a obrigatoriedade da aprovação no TT para a homologação do título de Campeão – OAS – Observação de Autoria deste Signatário).

                        Conclusões

                        O melhoramento animal nos apresenta um vasto campo de discussões. Não temos como objetivo determinar um padrão de criação, mesmo porque nem abordamos aspectos como displasia coxofemoral, displasia do cotovelo, hemofilia, e outras patologias de cunho genético. A idéia é compreendermos as bases científicas do melhoramento, para obtermos sucesso maior nesta frustrante incursão de criar cães de trabalho.

                        Devemos estabelecer critérios rígidos de escolha dos reprodutores e matrizes, sempre baseados no desempenho. É imprescindível que utilizemos a melhor técnica de treinamento para que os animais expressem ao máximo seu potencial genético e nos forneçam uma correta avaliação de sua capacidade de trabalho.

                        Para alcançar nossos objetivos sem naufragar, todos os segmentos envolvidos na criação devem ser competentes em sua função e em sintonia com um objetivo comum. Os juízes de provas precisam ser treinadores e competidores atualizados e atuantes; os treinadores devem aprimorar incessantemente sua técnica; os figurantes de prova devem ser honestos e conscientes da importância do seu papel, e, os criadores devem ser assessorados de perto pelos anteriores.

                        Finalizando, NÃO NASCE LARANJA EM COQUEIRO, e não conseguiremos desenvolver uma raça de trabalho se esta for selecionada pela estética. A única maneira de se conduzir a criação de uma raça de trabalho se houver um critério geral de seleção em trabalho, é se uma proporção considerável dos indivíduos desta raça for submetida com sucesso ao trabalho exposto.

Max Mendes Macedo.

Médico Veterinário

CRMV – MG 6347

                                   Observações de Autoria deste Signatário (OAS):

                        1) Fiz algumas observações a respeito, incluindo-as no próprio seio do artigo, onde constei a sigla OAS.

                        2) Gostaria de deixar claro que eu tenho quase a mesma opinião do Dr. Max a respeito do assunto, pois também entendo que o temperamento tem uma parte que é genética, porém tem grande parte que é dependente do manejo correto, ou seja, das experiências vividas pelo cão.

                        3) Felizmente o Teste de Temperamento voltou a ser implantado para a Raça Fila Brasileiro e também a obrigatoriedade do Certificado de Aprovação no Teste de Temperamento para a homologação do Título de Campeão. Fatores esses que, em conjunto, elevarão a qualidade comportamental do plantel de Fila Brasileiro ao longo do tempo.

                        4) Todo o artigo supra, dependendo de algumas adaptações e modificações ligeiras, é totalmente válido também para a Raça Fila Brasileiro, visto que a Raça deve continuar como se ainda hoje estivesse exercendo as funções de Boiadeiro e de Guarda. Sendo que considero que as Provas de Resistência à Marcha (Função de Boiadeiro) e o Teste de Temperamento (Função de Guarda), aplicados aos FB com mais de doze meses de idade, são primordiais para servir de critérios na seleção e aprimoramento da Criação do Fila Brasileiro, num PMG (Programa de Melhoramento Genético).

                        5) O Canil Comary é um Canil especializado na Raça Rottweiler e Pastor Alemão, se não estou enganado, está localizado no Estado do Rio de Janeiro.

                        6) Gostaria de externar os meus cumprimentos ao pessoal do Rottweiler (APRO) pela excelência da criação. Eles estão num patamar de qualidade excelente no quesito Provas de Trabalho.

                        7) Acredito que num futuro bem próximo todos os cães de Raças de trabalho estejam utilizando de DEP. (Desempenho Esperado na Progênie), onde os reprodutores inscritos num programa de seleção e melhoramento são avaliados através dos seus produtos (filhos e filhas), igual está sendo feito em algumas raças bovinas. Gostaria que os criadores de modo genérico e os “fileiros” em particular dessem sugestões sobre os quesitos para serem avaliados no citado Programa.

                        8) Eu, particularmente, considero o Teste de Temperamento proposto pelo falecido Dr., Professor, Sr. Procópio do Valle, como o mais completo e quase perfeito para a Raça Fila Brasileiro especificamente.

                        9) a “PRESSÃO SELETIVA” deve sempre ser estabelecida e calcada única e estritamente nos requisitos estabelecidos no Padrão Racial OFICIAL da CBKC/FCI, nos requisitos estabelecidos no MED (Manual de Estrutura e Dinâmica) da CBKC/FCI e no desempenho do trabalho (Guarda e Boiadeiro).

                        10) As NGA (Normas Gerais de Análise) e o MED (Manuel de Estrutura e Dinâmica) da CBKC/FCI especificam que qualquer Raça deve ser mantida com as características FUNCIONAIS primitivas, ou seja, com as características que formaram a raça, como se ela (Raça) ainda executasse as mesmas funções. No caso do FB as funções de Boiadeiro e de Guarda.

                        Aqueles que quiserem ou desejarem poderão acessar o site: http://www.canildosertão.com e ler vários artigos, inclusive esse específico sobre o teste proposto pelo Dr. e Professor, Sr. Procópio do Valle.

                        “Não fique só, fique sócio da SPFB”.

                        “Não devemos perseguir as borboletas, devemos cuidar de nosso jardim para atraí-las até nós”.

                        “Brasileiro que cria Fila Brasileiro é duplamente Brasileiro”.

                        “A Amarela, a PRETA, a Vermelha, a Marrom e a Tigrada/Rajada, em todas as suas nuances, são as cores oficiais e que sempre existiram, e existem no Padrão OFICIAL da CBKC/FCI”.

                        “A oficialidade se traduz também pelo reconhecimento OFICIAL de outros Países. A clandestinidade é um passo para a ilegalidade”.

                        “Quem quiser cor, que cultive rosas”. Autoria do Dr. Paulo Santos Cruz.

                        “Quem não tem competência, não se estabeleça”.

                        “O otimista sonha, o incompetente acusa, o pessimista se lastima e reclama dos concorrentes, o idealista planeja, o realista realiza”.

                        “A caravana passa, enquanto os cães ladram”.

                        Criador de Fila Brasileiro acesse o site da SPFB: “http://www.spfilabrasileiro.com.br” e vocês lerão várias informações importantes sobre a raça Fila Brasileiro.

                                               São Paulo, 10 de Novembro de 2009.

                                               Virgílio De Martella Orsi

Juiz de FB e dos grupos I, II, IV, V, VIII e X da CBKC/FCI.          

Canil Vale do Aricanduva – São Paulo/Brasil.

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