Temperamento do Fila Brasileiro

 

 Ao lado de seu aspecto de cão de porte médio para grande e aparência de cão de guarda, o Fila Brasileiro tem um temperamento muito especial, que rapidamente conquista seu dono e pessoas que o cercam. Mostra-se ser um cão dócil, amigo, um companheirão. Nos nossos livros sobre o Cão de Fila Brasileiro destacamos esta característica.
O comportamento desenvolve-se e é diferenciado sob a influência de factores genéticos e ambientais, mas nenhum deles pode agir independentemente.
“Cada um, que já possuiu um cão, sabe que existe urna ampla personalidade canina individual, que os faz diferir um do outro”. O desenvolvimento do comportamento dos cães se dá fundamentalmente por adaptação.
O comportamento dos cães, incluindo o Fila Brasileiro sofre também a influência do trato que recebe desde filhote. Wanildo Siqueira menciona as dificuldades ou impossibilidades de treinamento de um Fila, se lhe faltou carinho e cuidados nos primeiros meses de vida.
O Fila Brasileiro não é “um cão de um só dono”. Mais do que isso: o Fila é um cão de uma pequena comunidade, de uma família
. Um destaque a urna característica do cão de Fila: a ojeriza aos estranhos e a sua inexcedível integração aos seus donos; um cão grande e bravo e mesmo violento tem com freqüência um temperamento quase “humano”.
Além da ojeriza aos estranhos, um Fila não aceita outro macho e tem forte espírito de matilha.
Vamos comentar um problema importante do temperamento dos Filas: impõe-se a idéia de retirar o “Fila de salão”, ou seja, artificialmente preparado para as pistas. No mundo conturbado em que vivemos, hoje há dezenas de guerras e conflitos étnicos, os estrangeiros estão à procura de um cão de guarda e não de um bonito espécime.
Nas décadas de 1960/70, nas numerosas exposições do antigo BKC, Os Filas Brasileiros mostrados eram poucos e ficavam afastados dos outros cães. Eles não permitiam ser tocados pelos juizes ou ter seus dentes examinados. Com o tempo os Filas foram se tornando mais dóceis. Entretanto é possível preservar o temperamento dos Filas como cão de guarda. E recordamos que o Fila é o único dos cães Molossos que mantem este atributo de ojeriza aos estranhos. Mas, há a evolução, o crescimento da cidade, a falta de cerca entre as casas, corno se vê nos Estados Unidos.
Para serem apresentados em exposições os cães são submetidos a testes de ataques em cobaias humanas. Esses testes são de condicionamento. O cão repete o que lhe é ensinado. Não nos dá, realmente, idéia de seu temperamento.
Seria possível agradar a todos, apresentando Filas dentro do padrão e, ao mesmo tempo, utilizarmos os mesmos como cães de guarda? Fizemos alguns testes, tentando encontrar Filas com temperamentos diferentes, sem submete-los aos superficiais testes usados nos shows, que agradam tanto aos proprietários de cães.
Nossa sugestão se baseia no conhecimento do temperamento do Fila, com testes realizados em seu território, ou fora dele. Assim fizemos, utilizando Filas com dez meses de idade em diante. Entendido que, em verdade, começa-se a observar o Fila já desde filhote, época em que se pode identificar os mais espertos, os mais agressivos.
Descrição do nosso teste: o Fila é colocado afastado de pessoas, exceto o dono ou o tratador, contido pelo tirante. Distinguimos quatro grupos:

1 – O estranho se aproxima. Nota que o Fila fica indiferente, não mostra os dentes ou late. Maior aproximação se faz e tenta tocar o cão e ver os dentes. Se ele o permite, sem qualquer reação, receberá nota ZERO. Não é um cão de guarda, porque mantem um temperamento juvenil. Pode servir de companhia para velhos e crianças.

2 – O Fila, ao aproximar-se o estranho, mostra-se irrequieto, rosna, mostra os dentes, mas se deixa tocar. Recebe nota UM. Não e um cão de guarda.

3 – Quando o cão, com a maior aproximação do estranho começa a rosnar e a latir e não se deixa tocar, receberá nota DOIS. É um cão de guarda ideal, pois é educado, porém não aceita os estranhos.

4 – Finalmente, se o cão à aproximação do estranho a menos de dois ou três metros, procura investir, morder, impossibilitando qualquer contato, terá nota TRÊS. Este é um cão de guarda como os antigos cães de fazendas, no Brasil. Paradoxalmente ele se mostra dócil com seu dono e com aqueles que com ele convivem.

O exército de Israel, como me contou o Juiz “all rounder” Antonino Barone Forzano, na seleção de cães eficientes, escolheram Os Filas Brasileiros por não mostrar medo aos tiros e bombas.
Clélia Kruel, em seu segundo livro, escrito em inglês, destaca, mais uma vez, o temperamento do Fila. Ela chama “Filas corno cães de trenós”. Trata-se de uma carta que a sra. Clélia recebeu e escrita por John Quy e Earle Magge, os quais moram em Finland, Minnesota, em lugar onde, freqüentemente faz 20 graus abaixo de zero e eles moram quatro a sete milhas do vizinho mais próximo. Os cães são usados para puxar o trenó e retornar do mercado com alimentos. Além do frio, eles tem desfavoráveis a presença de lobos e de alces com grandes chifres, esses últimos com peso de 400 quilos. Por que preferiram Os Filas Brasileiros sobre outras raças para os protegerem? Respondem: “Porque a raça Fila é superior como proteção para ambos. Não é estritamente a coragem e a ferocidade da raça, nem sua força e agilidade. E a sua natureza de se aproximar da gente como guardas… Cães que correm loucamente para se baterem com lobos, são prontamente mortos. Nossos Filas, quando se perdem na propriedade, agem juntos como uma matilha e nunca caçam além da nossa área. Quando nossos Filas estão fora conosco eles nos mantêm sob suas vistas, como se fôssemos seu primeiro dever na vida para nos proteger e amar”.

Artigo escrito pelo Professor Procópio do Valle, a quem agradecemos a autorização de publicar aqui.

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